Desde há muito, o conhecimento é creditável a partir de uma fonte permanente de valor, desejável, estável, e igualmente memorável, ou seja, cultuável para além de sua própria exposição. Portanto, para que um conhecimento tenha valor intrínseco, essas são as condições: memória, cultura, desejo, estabilidade e troca, cuja zona de compartilhamento é a Instituição cristã fundada na Idade Média: a Universidade – sem a qual, tudo o que se propaga é: datado, cambiante, amesquinhado, instável e desvalido.” [Moedeiros Falsos I (Da Universidade)] – https://apalavradescoberta.wordpress.com/2015/09/08/moedeiros-falsos-i-da-universidade/
Por Ivan Pessoa
*
Em algum lugar do mundo, cuja Universidade encaminha tanto o intelecto como a vida de seus discentes, tal vitral assenta-se como método: ‘Estude para ser sereno.’ Antes que esqueça, e insuspeitadamente, sonhei com esta Universidade.
8211419835_fef1e83d8c_b

 

*

Suponho que nesta Universidade, as salas são antecedidas por recomendações ainda mais singelas, afixadas em acessíveis murais. Em seus corredores, as palavras do rabino Levi Yitzhak ressoam como sirenes intervalares, de modo que ao lhe perguntarem por que faltava a primeira página de todos os tratados, o que obrigava o salto impremeditado às páginas seguintes, o mestre respondeu: ‘Porque por mais páginas que o homem estudioso leia, ele jamais deve esquecer que ainda não chegou à primeira página.’ (Martin Buber,Contos dos Hassidim,1947).

*

Em sonho ainda, vi descansar num quadro a giz: as palavras de Rolland Dubillard, com a devida referência para fora dos parênteses, como se flutuassem – ‘Não aumenteis do peso das vaidades o peso das coisas.’ – Je dirais que je suis tombé -.

*

Em seguida cai no vago das horas, e de volta à realidade, trouxe meus sonhos à soleira do dia. Encaminhando-me à Universidade real, física e imóvel, fiz vacilar em um de seus corredores – umas palavras que rabisquei em um pedaço de papel, colhidas que eram daquele sonho. Não saberia encadear literalmente sua música, mas tão somente o seu sentido:”Há duas portas do sono. Uma que dá passagem fácil às sombras da verdade; a outra, de marfim refulgente de alvura, permite que os falsos sonhos ascendam aos céus.” (Virgílio, Eneida VI). Desde então – e diante da escarpada Torre de Marfim -, passei a sonhar de verdade.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s