Certa vez, em meio àqueles telefonemas inesperados, a voz de Nauro se projetou condoída, e no intercurso das habituais con-versações sobre literatura, três desapontamentos lhe saltaram da voz já cansada: a falta de reconhecimento, a pobreza criativa da literatura atual e seus efeitos na poesia até então produzida em São Luís. Como quem intuísse uma certeza, lembrei da queixa de George Orwell quando da publicação dos ‘Quatro Quartetos‘ de T.S.Eliot: “É claro que algo morreu, algum tipo de eletricidade foi desligada.” Diferentemente de Orwell que, ao modo de Virginia Wolf, se ressentia do teor religioso do novo Eliot, quiçá, naquela ocasião, Nauro se queixasse da nadificação expressiva da poesia atual, segundo ele já cambaleante quando da perda de José Chagas.

Ademais, se em Barcelona, Orwell fora ferido por uma bala que, alojada no pescoço, por pouco não lhe atingiu a traqueia, dificultando sua voz – condoída – em São Luís diminuíram o tom da voz de Nauro, a nada. Aliás, por mais custosas que suas vozes lhes projetassem, ainda assim imagino-os poeticamente soberanos; Orwell a lamentar o mau gosto dos anarquistas por não terem implodido a igreja secular de Gaudí, e Nauro por adoecer por uma porção de nada chamada São Luís. Ao término daquela conversa rabisquei o ensaio que segue abaixo, e nada foi mais gratificante que sua despedida: ‘Escreva mais.’

Por Ivan Pessoa

***

Um poema NADA

Devemos afirmar que cada geração sucessiva (de fato) apresenta um declínio, no sentido de que se encontra um passo mais próxima do abismo.”  (Richard M. Weaver)

I

Que rufem os tambores, a toque de caixa! Como diria Nauro Machado; alguém que cito desavisadamente preservando, sobretudo, o sentido de sua ironia, não sua literalidade: “Em São Luís todo mundo é poeta, ou pretende sê-lo.”

De longe, cada vez mais isso se confirma, e com uma celeridade assustadora; desde o músico – que ao lançar a sobreposição de dois acordes já é aclamado como tal; até um não menos apressado entusiasta que, na sobreposição de palavra em palavra, extrai de seus pares o atestado de sua sumidade: ‘- Divino!’ Sabe-se lá por que todos querem ser poeta, mas o certo é que, o pior modo de se começar a escrever um texto que se pretenda poético é afirmar: ‘- Poesia é indefinível, e gosto não se discute.’ Ora, e então surge a réplica: se poesia não se define, pois é questão de gosto, logo se chega à conclusão de que qualquer coisa; por mais tola que seja, pode ser indiscutivelmente poética, da cor do piche à pichação. Se assim for, logo concluo que, NADA é tão pretensioso, quanto não ter nenhuma pretensão!

N’outro plano, Paul Valéry – este sim, verdadeiramente poeta – construiria o melhor de sua obra poética em um silêncio monasterial de vinte anos, sem esquecermos; é claro, Charles Péguy que, no esforço de viver sua poesia, morreria durante a Primeira Guerra Mundial com uma bala na cabeça. E então neste sentido, cito Nietzsche – com as ressalvas que tenho: “Escreve com sangue e aprenderás que o sangue é espírito.”.

A primeira lição de Rodin; quando este recebeu em seus aposentos um jovem poeta chamado: Rainer Maria Rilke, então devotado as suas esculturas, foi: “- Vá ao zoológico porque lá aprenderás a ver.” Incumbido desta lição o poeta não titubeou, e em seguida voltou com aquela que talvez tenha sido uma das poesias mais epigonais do século passado – A Pantera (1903): “Seu olhar, de tanto percorrer as grades, está fatigado, já nada retém. É como se existisse uma infinidade de grades e mundo nenhum mais além. O seu passo elástico e macio, dentro do círculo menor, a cada volta urde/ como que uma dança de força: no centro delas, uma vontade maior se aturde/ Certas vezes, a cortina das pupilas ergue-se em silêncio. – Uma imagem então penetra, a calma dos membros tensos trilha – e se apaga quando chega ao coração.”

A grandeza do dizer poético – e aqui reside a sua exclusividade – está relacionada com a fixação de uma imagem, de forma que o olhar se adensa àquilo que vê. Desta forma, o poder criador da poesia é a consequência da impostação de análogos, vertendo uma intuição; imediatamente pessoal, à impessoalidade de todos os homens, o que confere a esta atividade, uma busca constante por reabilitar a própria linguagem em seu estado originário de graça. O sublime instante deste olhar poeta, que capta a imediatez daquilo que vê, grassa os ares de uma harmonia logo que é capaz de assentar a Ideia intuída com a forma verbal, ou seja, com a devida palavra a ser dita, daí a metáfora de Baudelaire ao tomar o poeta como um esgrimista. Sem excessos, ou mesmo dissonâncias, em tal estado – a poesia se torna um sucedâneo verbal de um ornamento, por meio da qual a própria realidade se justifica. Este súbito olhar de encantamento concede ao poeta o acesso à interioridade daquilo que pretende dar vida; não em estado de descrição especulativa, tal qual o olhar filosofante que conceitua o que é visto, mas em um estado proximal que é efetivamente aquilo que vê, de forma que o sentido da poesia é fazer ver. O contrário de tudo isto é a fixação lúdica por colagens verbais que, ao exceder a harmonia entre a Ideia e a precisão da palavra, recai infaustamente num hermetismo tão pessoal, quanto subjetivo, de forma que mutila o olhar. Neste sentido, e o mercado editorial o prova irrefutavelmente, a expressão constante que surge é: ‘- Isto é poesia ou é um enigma?’ E não por acaso, salvo algumas exceções, boa parte da poesia desta última geração – por evocar uma musicalidade poética à maneira de uma microfonia; excede o encanto daquela harmonia, soçobrando a um palavrório destituído de sentido, de sorte que compreendê-los é um ato caridoso, ou um milagre.

À despeito da cidade de São Luís e sua plêiade de poetas artificiosos – que por serem muitos, não são nenhum: o que faz um poema ser aquilo que é – se isso fosse razoável ou mesmo possível? Se à clara percepção de que onde existe um péssimo poeta, existe igualmente o seu contrário; e ambos são objetivamente apreensíveis, qual seria a natureza do olhar poético? Salvo melhor juízo, encontrar um critério demarcatório entre ambos, é elevar a poesia; por mais marginal que seja – aos píncaros daquilo que a tradição já sedimentou enquanto tal, tornando um bom poeta desta geração, um arquétipo remissivo dos clássicos. Ainda que se pretenda um iconoclasta; a desconstruir toda a concepção já consagrada daquilo que é compreendido enquanto poesia, a um jovem restará a tarefa exaustiva de conhecê-la suficientemente bem; para que possa negá-la, sem a qual ingressará nos versos livres, sem a noção exata daquilo que ambiciona refutar. E talvez, por um próprio desconhecimento e petulância, o jovem rebelde possa desavisadamente endossar aquilo que pretende negar; dando, por uma inabilidade técnica, condições para que nascentes leitores se afeiçoem mais com o que, por si mesmo, é mais palatável; como a poesia infinita dos pósteros.

Por uma certeza de que ninguém é rei e poeta impunemente, é que jamais me apressaria em publicar umas linhas tão descabidas quanto vazias de objetividade, apenas para figurar como versejador entre os meus coetâneos. Do mesmo modo, por saber que a notoriedade cresce tragicamente com a nulidade, jamais publicaria as linhas que seguem, dando-lhes a grandeza que não têm: “Uma torrente de dor /correnteza/ /escorre corrente tristeza / dilema da chuva enxurrada / Um poema NADA/ NADA um poema pela dor da escama curva em dia de chuva de dia, o poema exclama: jamais serei poesia!”. Com efeito, isto bem que poderia ser um poema – laureando seu autor à condição meritória de poeta, mas não o é por um simples motivo: é apenas um jogo de palavras antepostas, de modo que, quem o escreveu não se evidenciou criador, e por não sê-lo, incumbiu àquele que lê à devida decifração, e então: um poema que não refulge como estrela; pode significar tudo, mas não revela nada. Por este mesmo motivo, e por ter sido escrito por nenhum poeta é que por antecipação; eis então o decalque de todos os poemas que virão tropegamente na marcha da avant-gard: com a devida vênia.

II

Em sua obra de 1942, ‘A filosofia em nova chave’, Susanne Langer nos apresenta uma rebuscada argumentação em volta dos símbolos, por onde se assenta, aliás, a expressividade do dizer poético. Anteriormente, Goethe assim diria: “o símbolo transforma os fenômenos visíveis em uma ideia, e a ideia em imagem, mas de tal forma que a ideia continua a agir na imagem, e permanece, contudo, inacessível; e mesmo se for expressa em todas as línguas, ela permanece inexprimível.” Em outros termos, o símbolo é uma complexa teia de associações – ainda que indescritível – que harmoniza ideias e imagens, pondo-as em constante movimento. Ao revelar a si mesmo, o símbolo não precisa de outra mediação senão a imagem correspondente, tal qual a alusão que se faz entre a maçã e o pecado, ou entre a ressurreição e a cruz. Do mesmo modo são simbólicos: a esfera de Parmênides; o corvo de Edgar Allan Poe; a rosa de Sillesius; o inferno de Dante ou a pantera de Rilke.

Por se sustentar sobre o princípio das analogias ou das correspondências – que estabelece relações entre aquilo que é lido com situações cotidianas – a poesia; sendo simbólica, desdobra um entendimento às situações existenciais mais correntes como: a perda, o sofrimento, a alegria e a morte. A especificidade do simbólico, sendo uma abstração elementar (que nos faz acumular informações prévias sobre as coisas), é aludir a algo que, em si mesmo, não é passível de ser compreendido, por mais que auxilie à própria compreensão, de modo que a pantera de Rilke não diz nada sobre nada, e, no entanto, é capaz de nos fazer ver a simbologia da própria existência como aquilo que – por ser maciço como grade, aprisiona. Desse modo, o símbolo não evoca nada além de si mesmo; bastando-se, por mais que lance luz sobre outros fenômenos, porque o próprio símbolo é luz. No instante em que; tanto o poeta, quanto seu respectivo leitor – encontram na vida cotidiana, análogos ao que fora anteriormente lido, os símbolos atinentes às imagens poéticas – harmonizam-se em uma indistinta simetria, tornando inteligível tanto o poema, quanto a vida. Em tal ordem, o poema se torna um microcosmo – e de um modo especular, tudo se reflete em suas palavras, justificando integralmente o sentido de toda a existência, ainda que seja por um lapso de segundo.

Quando o poeta; incapaz de condensar simbolicamente aquilo que pretende escrever – maquina apenas experimentalismos descabidos – a criação de análogos cede espaço a uma comunicação que, de tão insaturada, se revela inoportunamente dissonante, de sorte que, ao sobrepor palavra em palavra, seu autor não pode cobrar de sua invencionice, a densidade que não tem; muito menos dar as costas a quem lhe retorquir: ‘- Eu não entendi absolutamente nada!’ E então a poesia morre, de tal feita que a morte da poesia é proporcional à ruptura que há entre a Ideia e a forma verbal, ou seja, a destituição entre o sentido e o som, o que em tais termos seria prescindir do símbolo e sua evidência. Um arranjado de palavras no papel que, por mais que se pretendam poéticas, não aguçam um sentido simbólico; harmônico e inteligível, não pode arrogar para si a natureza de uma poesia, daí a admoestação de Valéry: “A obscuridade de um poema é produto de dois fatores: a coisa lida ou a pessoa que lê.”. (E não por acaso, quem nunca leu ou jamais procurou saber sobre: ‘Poesia e Pensamento Abstrato’ deste último – inclusive com a pretensão de negá-lo pontualmente – pode ser tudo; de pintor de piche a pichador, menos poeta.).

Por ser simbólico, o dizer poético clareia aquilo que aparentemente é obscuro, dando – à vida de quem lê – a dimensão de um torpor ou de um encantamento; quando não, aguça um senso insubmisso de rebelião interior. Se a poesia não desestabiliza aquele que lê, possivelmente seu campo simbólico de inscrição; não se efetivando enquanto tal vacila do ímpeto ao desinteresse, tão comum nas expressões artísticas modernas, de sorte que o texto da (última) vanguarda e sua efeméride, de per si já o confirmam.

Ora, com qual potência criadora a poesia é capaz de reabilitar a vida de um leitor qualquer, curando-o de suas dúvidas; de seus temores? Aliás, como pode um poema por mais antigo que seja – ser tão atual? Apenas no momento em que o leitor, ao integrá-lo à vida, atualiza a potência criadora daquilo que é lido. No entanto, esta passagem é ainda um mysterium; tão enigmático quanto o espanto dos pré-socráticos em face da natureza, e correspondente encanto: “Como o Uno em si mesmo se diferencia?”. A isto Heráclito, em franca menção à natureza, retorquiria em seu fragmento 84: “Ao mudar, repousa”. Não tendo um sentido unívoco – visto que é símbolo – há na harmonia poética uma chama interior atual a cada leitura, ainda que inesgotável. Homens em eras distintas; em outras circunstâncias, verão em suas caleidoscópicas descobertas uma fonte alegórica de intelecções mútuas, com as quais gerações passadas e posteriores se aproximarão. Sendo assim, com então 20 anos o filósofo inglês, John Stuart Mill, passaria por uma crise mental; seguida de uma longa depressão apenas curada com a poesia de Wordsworth, que em um encontro posterior assim diria ao jovem pensador: “A poesia é o mais filosófico de todos os escritos, e seu objeto é a verdade – não individual e local, mas geral – verdade que é seu próprio testemunho.”.

Tal verdade poética – por ser potencialmente este ímpeto revelador da própria vida enquanto imagem – cria um espaço orgânico por meio do qual tudo corresponde especularmente. Em condições de aguçada precisão verbal; em que a forma se harmoniza ao metro, que por sua vez se harmoniza ao ritmo – o poder unificador do símbolo faz com que o todo, ao implicar as partes, eleve o dizer poético à captura plástica do tempo e da realidade. Desta forma, este alento que se distende dos poemas lidos, redime aquele lê; ainda que esteja na batalha, no front, ou mesmo na guerra particular do agonístico crepúsculo. E isso facilmente se confirma; desde Alexandre, o Grande que em seu leito de morte conservava a espada ao lado de sua Ilíada, até Jean Dutourd, que em plena Segunda Guerra Mundial se fez acompanhar das poesias de Mallarmé e Valéry.

Evidenciada a tese de que tudo – ao mudar; repousa, o símbolo poético conserva em si mesmo algo perpassável via epifania, que atualiza infinitamente tanto o sentido que ali descansa quanto aquele que lê, de sorte que o seu propósito não é efêmero, e sim perene; afinal o próprio símbolo é eterno. Tal eternidade sustém a face inacabada do poema; reconciliando a palavra consigo mesma, bem como aquele que a descobre. – Como pode uma obra escrita há tanto tempo ainda resplandecer, atualizando a sua cadência cada vez que se deixa entrever? Sem se deixar esgotar, porquanto, seja potencialmente símbolo, a verdadeira poesia é remissível não apenas no instante de sua escritura, mas igualmente na posteridade de sua grandeza. Esta fronteira por si mesma delimita: o que é poesia, e o que é jogo de palavras, com a proporção devida de que a primeira é uma necessidade orgânica, entre o que é lido e quem a lê; (com seu respectivo campo de simbologia), enquanto a segunda é apenas um amontoado de expressões, que por não dizer nada, é tão passageiro quanto um bilhete lançado à rua. Dentro de um elevador; nos congestionamentos diuturnos; na mesa de um bar; na troca de e-mails – quando um ‘poeta’ facilmente rabisca a própria mão, imaginando assim ter escrito o Magnum Opus de seu tempo – suas garatujas serão medidas não, por seu estado ‘epifânico’, antes pela precisão das imagens e sua coesão simbólica, que por mais que se sucedam os séculos, restarão acesas como uma chama secreta. A propósito, ou enquanto isso, assim escreveria Homero em menção a Ajax: “A sua grande sombra ainda arde.”.

Caso contrário, e no esforço de preterir a tradição – contrapondo-lhe a associação livre de ideias; excedendo em subjetivismos inalcançáveis e sua escrita automática (tão cara às crianças na primeira infância), o que sobra é uma criptografia, similar em tudo aos caça-palavras. Excetuadas as motivações destas famigeradas poesias, baseadas na cultura pop; nas máquinas cut-ups; na psicanálise; no estruturalismo; na pós-modernidade; no dodecafonismo e na física quântica – nada as sustentam, por serem suficientemente confusas ou ininteligíveis. Não podendo, enfim, menciona-las – por serem tantas – delego ao leitor a decifratória incumbência. Para tanto, é necessário não se ater aos poemas já consolidados; que pela providência de um Zeitgeist (espírito do tempo) edificaram uma obra poética há muito imprescritível, pondo a cidade no rol da grande criação de poesia, respeitada que é mundo afora. Direciono-me aos (ainda) impublicáveis; às ideias sem clareza; àqueles que – na sanha por se arrogarem poetas – preferem estardalhaço a silêncio, a superficialidade a fio. Por conseguinte seguem trôpegos, hesitando um passo ou uma queda; convencidos de que, por serem definitivamente profundos, estão mais adiante. Para além destas paragens, e pelos motivos vindouros, recordo Henry Thoureau (em réplica): “Se um homem marcha com passos diferentes de seus contemporâneos, é que ele ouve outro tambor.”. Em todo caso, e na contramão, Nauro Machado caminha longe demais: enquanto nos apressam os passos – os Tambores de São Luís (…).

Dois fatos; advindos de uma Providência, atestam o sentido das palavras anteriormente esboçadas: A) O fato de que, paralelamente a este texto, Nauro Machado publicaria um livro mais recente com 120 poemas, de nome: “Percurso de Sombras”; B) A notícia surpreendente, publicada no dia 27/11/2013 em alguns sites, de que as poesias de Shakespeare, Wordsworth e Kipling, têm sido sistematicamente utilizadas em instituições especializadas e hospitais da Inglaterra para o tratamento do Mal de Alzheimer, sob a alegação de que: “A poesia não cura a senilidade, mas tem o poder de, como a música, devolver confiança aos pacientes: eles descobrem que se lembram de algo, além do que, permite criar um laço entre gerações.” Ciente de que ambos os casos são proporcionais, deixo a seguir um espaço para o silêncio de uma reticência. (…).

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